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segunda-feira, 30 de maio de 2016

RESENHA: Cadê você, Bernadette?


Título: Cadê você Bernadette?
Autora: Maria Semple
Editora Companhia das Letras
Páginas: 376
Ano: 2013

Confira a sinopse no site do Skoob

Foi em um dos vídeos da booktuber Tatiana Feltrin que me interessei pela obra e foi em uma tarde fria de maio, como presente de aniversário, que ganhei de meus amigos de trabalho o livro que entraria para duas das minhas listas mais especiais:  “os melhores da vida” e a “capa mais bonita da estante”.

Maria Semple escreve com leveza, com criatividade, com o coração. Para quem não conhece, ela iniciou seus trabalhos na ficção no ano de 2008 e se isso não ajudou em nada, antes de ir por esse caminho ficcional, a escritora de Seattle escreveu para séries como Mad About You, Ellen e Arrested Development.

 Na história, Bernadette tem uma filha que é uma aluna exemplar. Como presente por todo o empenho e de acordo com o prometido pelos pais, Bee, a aluna nota 10, pede uma viagem à Antártida.

Os preparativos acontecem, mas por algum motivo, Bernadette some dias antes da tão esperada viagem. Agora, Bee vai fazer de tudo para encontrar sua mãe e assim, o leitor pode se envolver de uma maneira inevitável.

Bernadette é única, é sincera, é antissocial. Quantos de nós já não tivemos a vontade de chutar o balde e dar as costas ao vizinho fofoqueiro? A personagem faz isso e muito mais como a maestria que se torna cativante.


Parando para pensar, eu era bem mais social anos atrás, até exageradamente, eu acho. Será que há um momento na vida que é aquele pelo qual todos vão passar e que fará com que tomemos um dos dois caminhos: a socialização ou o antissocialismo? Bernadette tenta explicar com suas atitudes.

Ali no livro você encontra de tudo um pouco: a vizinha fofoqueira, a filha inteligente, a filha revoltada, a mãe que protege o filho, o filho que engana a mãe, o marido compreensivo, o marido decepcionado, a assistente apaixonada, a casa dos sonhos, o cachorro companheiro etc.

São tantas coisas cotidianas automáticas, que vistas pela óptica de diferentes personagens, torna-se inovador e surpreendente.

Um trecho pode ajudar a apresentar a diferente Bernadette:

Entre os milhões de motivos pelos quais não quero ir à Antártida, o principal deles é que serei obrigada a sair de casa. A essa altura você já deve ter percebido que isso não é algo que eu goste muito de fazer [...] A única maneira de se chegar à Antártida é em um navio de cruzeiro. Mesmo os de menor porte comportam 150 passageiros, o que significa que eu vou ficar presa com outras 149 pessoas que provavelmente vão me enlouquecer com sua grosseria, sua sujeira, suas perguntas idiotas, sua tagarelice incessante, seus pedidos de comida bizarros, sua conversinha entediante etc. Ou pior, eles podem voltar sua curiosidade para a minha direção, esperando que eu corresponda graciosamente. Estou tendo um ataque de pânico só de pensar nisso. Um pouco de ansiedade social nunca fez mal a ninguém, né? (p. 14-15).


Talvez, por isso, Cadê você Bernadette? possa atingir você que se cansou do seu cotidiano, mas sempre gosta de conhecer o de outrem. Não por maldade, não, isso não. Mas porque conhecer o outro também pode nos mostrar o que queremos ser e se assim não for, ao menos, nos mostrar o que NÃO queremos ser.