Título: S. O navio de Teseu
Autor: Doug Dorst;
J. J. Abrams
Editora Intrínseca
Páginas: 472
Ano: 2015
Confira a
sinopse do livro no site do Skoob.
Olá, pessoas.
Hoje quero compartilhar com vocês uma leitura que fiz de um livro incrível,
nunca tinha visto uma obra tão singular. O navio de Teseu me encantou com sua
forma de apresentação. Não tem como não ficar curioso pela história, visto que,
além da história propriamente dita (do navio), há ainda uma história contada
nas margens do livro. E mais: o livro está cheio de anexos! Espetacular.
Muito se fala
na internet sobre a forma de ler esse livro. Eu inclusive fui pesquisar para
saber a melhor forma de aproveitar a obra. Na dúvida, testei várias formas. O
que mais li foi a versão de que você deveria primeiro ler o livro original
(como se não houvesse anotações nas margens). Na sequência, voltar ao início e
ler as anotações. NÃO FUNCIONOU! Onde eu esconderia a minha curiosidade? Tentei
ler tudo ao mesmo tempo. Que confusão! Fiquei perdido. Então, minha sugestão
para quem for ler é ler um capítulo do livro e voltar para ler as anotações e
os anexos.
A história do
navio inicia com um elemento que não se lembra do próprio nome, mas se
apresenta a todos como S. A maior parte da história ocorre no navio. Ora o
navio é um refúgio, ora é um cárcere. A linguagem é estilo do início do século
passado, típico para um livro que representa o período, uma vez que a
encadernação mostra traços de um livro velho, usado, apresentando desde páginas
amarelas, sujeira até marcas amassadas nas páginas. Eu ainda acredito que o
cheiro do livro seja de estante (ele não tem cheiro de livro novo, não para
mim).
Nas margens
existe a história de dois acadêmicos, Eric e Jen. Os dois inicialmente tentam
desvendar a identidade de Straka (o suposto autor de O navio de Teseu), mas
acabam usando o livro como instrumento de conversa. Os anexos correspondem às
pesquisas dos dois, tais como um recorte de jornal, postais, fotos, até cartas
relatando problemas pessoais. A parte das margens (+ os anexos) para mim foi a
melhor parte, a mais interessante.
O curioso dessa
obra é que tudo é ficção. O livro O navio de Teseu representa um livro que
esteve em uma biblioteca, o autor V. M. Straka não existe. Nessa história do
navio há muitas notas de rodapé fazendo referências a outras obras, que também
não existem. E a busca desses dois acadêmicos é reconhecer os personagens do
navio na vida real (que é ficção também) (risos).
Tudo foi muito bem
amarrado, muito bem pensado, cada referência, cada nota de rodapé. Foi de uma
genialidade sem igual a construção desse livro. Outro detalhe muito curioso é
essa obra não possui versão digital (nem teria como mesmo). E o livro foi
impresso na China porque nenhuma gráfica aceitou o desafio. Apenas o guardanapo
é que foi produzido no Brasil. Assim, devido a essa logística, foi feita apenas
uma tiragem (a internet nem sempre é uma fonte confiável, mas, diante dos
fatos, eu acredito mesmo que isso possa ser verdade).
Como um
graduado em Letras, várias anotações dessa obra me encantaram, pois trouxeram à
tona belas lembranças do tempo de formação. As anotações à caneta são as
conversas entre Eric e Jen. No entanto, as anotações à lápis são percepções que
Eric fez em sua leitura (livro este que ele releu inúmeras vezes). Em outras
palavras, Eric analisava a obra e anotava o que estava nas entrelinhas.
Fantástico!
Diante de
tantas novidades, eu fiquei em dúvida quanto a um parecer sobre o livro. Ele é
totalmente diferente de qualquer outro livro que eu já li. Assim, elaborei uma
tabela para avaliar vários pontos, tais como a encadernação, a aparência, a
história em si, entre outros. De acordo com essa tabela, o livro fica com nota
7,2. Esse é o primeiro livro que avalio desta forma (com nota), e penso em
adotar essa prática nas próximas leituras também. Se eu recomendo? Claro!
Apesar de a história do navio não ter me encantando tanto quanto eu esperava
(diferente da dos acadêmicos pelas margens), sem dúvida é uma experiência
diferente que valeu muito a pena.



